Sete militares venezuelanos desertaram na fronteira em Roraima

Sete oficiais das Forças Armadas da Venezuela desertaram nos últimos dias e entraram no Brasil pela fronteira de Roraima. A informação foi confirmada pela equipe de comunicação da Operação Acolhida, coordenada pelo Exército Brasileiro.

Segundo a chefe de comunicação da Operação Acolhida, coronel Carla Beatriz, três militares conseguiram cruzar a fronteira e deixaram o país ontem, enquanto quatro fizeram o mesmo movimento hoje.

Triagem

Os oficiais que chegam ao Brasil são encaminhados para os postos de triagem da Operação Acolhida. De acordo com a coronel, eles são tratados como os demais imigrantes. Na triagem, informam se são refugiados ou se querem declarar residência no país.

A primeira opção implica a obrigação de permanecer no Brasil por pelo menos um ano. Por isso, relatou Carla Beatriz, alguns venezuelanos ao saber dessa exigência mudam sua declaração para residência temporária. A documentação é conferida pela Polícia Federal. A Agência das Nações Unidas para refugiados também auxilia neste processo.

Tanto no caso dos militares que deserdaram quanto dos demais venezuelanos, as Forças Armadas encaminham os imigrantes para abrigos em cidades de Roraima, após a triagem. Somente na capital, Boa Vista, são onze abrigos. Depois dessa acolhida, é avaliada a possibilidade de interiorização, ou seja, de mudança para outras cidades.

“Nessa interiorização há três modalidades. A primeira é a oferta de emprego, o que é acertado com empresas que se disponibilizam a contratar imigrantes. A segunda é a transferência para outros abrigos, geralmente de organizações religiosas. E a terceira é a reunião familiar, quando um parente já conseguiu emprego ou alguma forma de permanecer no Brasil e recebe o restante da família”, explicou a coronel à Agência Brasil.

Outros militares venezuelanos têm desertado pela fronteira com a Colômbia.

Estados Unidos

Hoje o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, voltou a defender que oficiais venezuelanos aceitem Juan Guaidó como presidente interino e a oferta de anistia, como parte da pressão que a administração de Donald Trump vem promovendo sobre o governo de Nicolás Maduro. Pence também anunciou novas sanções à Venezuela.

Governo Maduro

Em sua conta nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, voltou a criticar os Estados Unidos, a quem culpa por uma ofensiva contra seu país, e a defender que a resolução dos problemas locais deve se dar internamente, e não por uma intervenção de outras nações.

De acordo com Arreaza, os estadunidenses têm interesse na mudança de comando no país para grupos políticos mais sintonizados com Washington em razão da importância geopolítica da Venezuela pela sua grande reserva de petróleo.

Agência Brasil
Autor: Jonas Valente – Repórter Agência Brasil

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