Pesquisadores descobrem novas espécies de fungos causadores de doenças em plantas de café

Foto: Tropical Plant Pathology.

Em um trabalho realizado pelos pesquisadores e fitopatologistas Hélcio Costa e José Aires Ventura, do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), foram identificadas novas espécies de fungos causadores de doenças em plantas do café e que também afetam as plantações de caqui e pitanga. A descoberta foi publicada na revista científica Tropical Plant Pathology, da conceituada Editora Springer.

A pesquisa começou em 2010, em uma propriedade no município de Castelo, no momento em que o pesquisador Hélcio Costa percebeu pequenos fios e algumas manchas nas folhas e nos frutos de café, o que seria um sintoma que ainda não havia sido descrito no Brasil. Algo com características parecidas já havia sido relatado apenas em algumas plantações na Índia.

As análises foram feitas no Laboratório de Fitopatologia do Incaper do Centro Regional (CRDR) Centro Serrano. Desde então, as etapas incluíram procedimentos como isolamento e cultivo do fungo in vitro e inoculação em plantas sadias até a sua identificação, para ter a certeza de que existia um novo fungo para a ciência.

Estes fungos passaram também por análises filogenéticas (DNA) e morfológicas (características biológicas) para confirmação das espécies. As análises possibilitaram também identificar uma outra espécie de fungo do mesmo gênero, que ocorria em outras plantas do Brasil, como o caqui em São Paulo e a pitanga na Amazônia. Para que isso acontecesse, foi necessário um trabalho realizado em conjunto com as instituições parceiras, a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), a Universidade Federal de Roraima (UFRR), a Universidade Federal de Lavras (UFLA), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa – Meio Ambiente) e a Universidade Federal do Piauí (UFPI).

“Como é uma espécie nova em café e como e se trata de uma cultura predominante no Espírito Santo, mais essa descoberta vem nos alertar da importância do diagnóstico correto, uma vez que no início desse trabalho o produtor achava que era queima de defensivos ou de adubo, o que poderia acarretar complicações futuras. A partir do momento em que foi dado o diagnóstico, ele evitou que a doença atingisse novas áreas de café em sua propriedade e conseguiu minimizar as perdas, pois ela só ocorreu só nas plantas que estavam atacadas”, explicou Hélcio Costa.

O pesquisador Aires Ventura, que participou da identificação e classificação do novo fungo, decidiu em conjunto com os outros autores em prestar uma homenagem em honra ao Professor Dr. Geraldo Martins Chaves, da Universidade Federal de Viçosa, eminente cientista brasileiro dedicado a pesquisas em doenças dos cafeeiros, dando-lhe o nome científico de Ceratobasidium chavesanum.

“A descoberta de novas espécies de microrganismos tem grande importância para a ciência, contribui para o conhecimento da biodiversidade biológica das espécies e sua importância para os ecossistemas. No caso de fungos fitopatogênicos, que causam doenças em plantas, a descoberta reveste-se de importância econômica pelas perdas que podem causar nas culturas agrícolas, podendo, em alguns casos, ser considerados quarentenários e incluídos na legislação de defesa fitossanitária dos países. As estratégias de controle desses patógenos só é possível quando se faz um diagnóstico correto, que inclui a identificação da espécie”, disse Aires Ventura.

Os fungos descobertos foram avaliados e aprovados por um Comitê de Especialistas Internacionais de Micologia. O DNA das novas espécies portanto, foi depositado em bancos genéticos específicos.

Outras descobertas para a ciência

Essas não foram as primeiras espécies de fungos descobertas pelos pesquisadores do Incaper. Em 2010, os mesmos pesquisadores descreveram e publicaram uma nova espécie de fungo na cultura do Inhame, batizado como Marasmiellus colocasiae. A novidade foi publicada na revista internacional Cryptogamie Mycologie, em cooperação com pesquisadores do Núcleo de Pesquisa em Micologia do Instituto de Botânica de São Paulo e do Departamento de Botânica do Moravian Museum da República Tcheca.

Vale lembrar que o Incaper dispõe de laboratórios para fazer diagnósticos como este, gratuitamente.

Acesse o artigo, disponível na revista Tropical Plant Pathology

Texto: Tatiana Toniato Caus, jornalista da Gerência de Transferência de Tecnologia e Conhecimento do Incaper (GTTC).

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