Grupo luta por direitos e políticas públicas para as mulheres no Caparaó

Foto: Divulgação.

Guaçuí recebeu, nesta quarta-feira (5), o coletivo de mulheres “Umas pelas outras”, um grupo organizado de mulheres da região do Caparaó que buscam por direitos coletivos e por políticas públicas para as mulheres. O encontro, que aconteceu no Centro de Convivência da Terceira Idade, é o segundo realizado pelo grupo (o primeiro aconteceu em Alegre) e discute pautas específicas voltadas para as mulheres. Nesta oportunidade, o encontro contou com a presença da socióloga e professora da Ufes, Ana Cláudia.

As reuniões, inicialmente, estão sendo itinerantes. Acontecem uma em cada município do Caparaó e Guaçuí foi o anfitrião dessa vez. Presente à reunião, a secretária municipal de Assistência Social de Guaçuí, Josilda Amorim, destacou que está crescendo a consciência do poder que a mulher exerce na sociedade. “Se unirmos forças, poderemos mudar muito à nossa volta e ajudar muitas mulheres”, afirma. “Por tudo isso, cremos que, se enraizarmos um movimento que defende os interesses da mulher, em nossa região, muitas conquistas virão”, completa.

As integrantes do grupo são de vários municípios do Caparaó, com mulheres que atuam em diversas áreas, como professoras, artesãs, assistentes sociais, funcionárias públicas, enfermeiras, psicólogas, educadoras ambientais, bancárias, aposentadas, estudantes, donas de casa, dentre outras profissões e ocupações. E foi partindo da visão dessas mulheres que o grupo surgiu, diante da realidade de que ainda é necessário transpor muitas barreiras na sociedade, quanto a conquistas dos direitos sociais e que, mesmo com o passar do tempo e das conquistas já alcançadas, muito ainda há que se fazer. Elas entendem que o momento é de retrocesso quanto à questão de direitos das mulheres, porque houve um aumento no índice de violência contra a mulher, em especial, no Espírito Santo que sempre esteve numa posição elevada no ranking nacional nessa questão.

Foto: Divulgação.

A superintendente de Programas Sociais da Secretaria de Assistência Social de Guaçuí, Adriana Peixoto, afirma que o coletivo, enquanto entidade institucionalizada, tem mais voz e força para lutar pelas políticas públicas para mulheres, bem como se posicionar e exigir da sociedade e do estado que se faça valer a democracia, contribuindo para levar a mulher aos espaços de poder e à garantia de seus direitos. “É de extrema importância desenvolver um trabalho de base nas comunidades e bairros, levando ajuda de forma humanitária e, principalmente, através da entidade, levar as necessidades e anseios dessas mulheres até o poder público e também buscar soluções possíveis juntos aos governantes”, enfatiza.

De acordo com informações da Semasdh, entre outras diversas formas de combate à violência contra a mulher, o coletivo “Umas pelas outras” percebeu a necessidade e importância de se promover a autonomia financeira das mulheres. De acordo com elas, isso é imprescindível para que as mesmas possam, inclusive, sair de situações de violência em que muitas vivem, visando sempre a união a favor da valorização da vida e o protagonismo da mulher.

As pautas do grupo, além de sua institucionalização, têm como prioridade número um, a criação de uma Delegacia Especializada no atendimento às mulheres na região, destacando que, hoje, o atendimento 24 horas existe apenas na Delegacia de Alegre. Além disso, está entre as metas implantar o atendimento interdisciplinar, com equipe especializada, para os agressores, a criação do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, nos municípios da região do Caparaó, e ações de valorização da mulher produtora rural, assim como o empoderamento da mulher que mora em bairros socioeconômicos carentes. E também está entre os objetivos a valorização do protagonismo das mulheres produtoras do Caparaó, assim como as mulheres que produzem produtos artesanais em diversos gêneros, e o diálogo sobre a cultura que apresenta como naturais a violência de gênero.

As mulheres do “Umas pelas outras” afirma que o grupo veio para mostrar atitude, perspicácia na busca de ideais e conquistar a credibilidade que merecem, na busca do desenvolvimento e benefícios para a parcela feminina sociedade. Para isso, segundo elas, é importante entender que o combate à violência contra a mulher também engloba a luta contra a violência social, contra a desigualdade de gênero, contra o racismo, contra a injustiça e desigualdade social, incluindo os aspectos culturais que reforçam a imagem da mulher como subalterna e submissa, para que se chegue a um mundo do trabalho que insira a mulher na sua condição de sujeito da história.

Novas reuniões serão marcadas e as mulheres que tiverem interesse em participar e que tenham disponibilidade de tempo e comprometimento com as causas sociais voltadas para a conquista dos direitos das mulheres, podem procurar a professora da Escola Estadual em Tempo Integral Monsenhor Miguel de Sanctis – Escola Viva (antigo Polivalente), Renata Alves, idealizadora do projeto. Mais informações também podem ser conseguidas na Casa dos Conselhos de Guaçuí, com a coordenadora Alba Soares.

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