Caparaó pode se beneficiar com cultivo de oliveiras

Foto: Thinkstock.

O extensionista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) de Santa Teresa, Carlos Alberto Sangali de Matos, utilizou uma foto recente do Jardim Getsêmani, em Jerusalém, para apresentar as potencialidades do cultivo de oliveiras para a produção de azeite extra virgem no Espírito Santo durante a primeira reunião da Frente Parlamentar em Defesa e Apoio à Diversificação Agrícola, na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales).

Segundo o extensionista, o Espírito Santo pode se beneficiar disso com o incremento da produção, em especial nas regiões Serrana e do Caparaó. Ele ressaltou que o mercado promissor, com boa rentabilidade e também pode ajudar a conter o êxodo rural. “É a redenção da agricultura de montanha capixaba”, declarou.

“Uma atividade inovadora, robusta e promissora. Esta árvore tem mais de 2 mil anos e ainda produz. Foi aqui que Jesus orou antes de ir para o Calvário”, declarou Sangali antes de apontar uma carência de azeite no mercado nacional, visto que a maior parte do produto consumido no Brasil é importada.

Outro ponto levantado pelo extensionista é que o Estado tem condições de solo e clima semelhantes aos principais polos de cultivo do país, como Rio Grande do Sul e a região da Serra Mantiqueira (entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro).

“O Incaper está incentivando a plantar oliveira na faixa de altitude entre 900 e 1.300 metros. Lá, o vegetal desenvolve e produz economicamente, pois temos temperatura de 7,3°C a 9,4°C. Existem 150 mil hectares aptos ao cultivo de oliveiras, distribuídos em 25 municípios. É uma grande oportunidade de diversificação, sem suprimir um metro quadrado de vegetação”, salientou.

Agroindústria

Com o cultivo de oliveiras iniciado em 15 municípios capixabas, Sangali diz que, para atingir o objetivo de produzir azeite extra virgem genuíno, de baixa acidez, com aroma e sabor diferenciados, é necessária a construção de uma agroindústria para o processamento das azeitonas. O terreno para a instalação do empreendimento foi doado pela Prefeitura de Santa Teresa e o projeto foi desenvolvido por uma engenheira casada com um olivicultor.

O Secretário de Estado de Agricultura, Aquicultura e Pesca, Paulo Foletto, participou do evento. “A gente tem que colocar recursos em quem tem coisa a mostrar. É uma commodity diferenciada e o mercado tem uma escassez. O Estado vai dar suporte. A necessidade neste momento é se comprometer com a construção física da indústria para fazer o esmagamento das olivas”, explicou.

Ao final do encontro, o deputado Dary Pagung, presidente do colegiado, frisou que o trabalho para dinamizar a produção de oliveiras estava começando, mas que havia a expectativa de expansão para diversos municípios capixabas. “Esta Frente foi protocolada em fevereiro e nos bastidores trabalhamos para chegar no dia de hoje com algo importante. Queremos implementar esta agroindústria do azeite. Temos que convencer o produtor a plantar, mas o Estado tem que ajudar”, reforçou.

Cultivo de oliveiras no Espírito Santo

Atualmente o Espírito Santo possui 186,5 hectares destinados ao cultivo de oliveiras. O Incaper viabilizou 43.200 mudas para produtores capixabas, beneficiando 115 propriedades em 15 municípios. Para incentivar a cultura, o Incaper presta orientação técnica aos agricultores interessados na atividade.

São realizados dias de campo, dias especiais e outras ações em municípios que possuem condições aptas para o cultivo das oliveiras. Além de Sangali, a engenheira florestal do Incaper, Ranuza Coffler, também presta assistência aos produtores interessados. A tecnologia é oriunda da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), numa parceria já formalizada com o Incaper.

Esmeralda Capixaba

O Espírito Santo já produziu as primeiras 50 embalagens (250ml) de azeite feito com olivas colhidas em propriedades rurais capixabas. Em março de 2018, foram colhidos 150 quilos de azeitonas. As olivas foram levadas para o município de Catas Altas de Noruega, em Minas Gerais, onde foram processadas na agroindústria Estância do Pinheiro. O azeite, batizado de Esmeralda Capixaba, foi processado no Estado vizinho e no Espírito Santo.

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