Audiência pública sobre preços do café acontece sem presença da Conab

Foto: Divulgação.

A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, em Brasília, realizou nesta terça-feira (14) uma audiência pública para discutir o preço mínimo do café. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) não compareceu ao evento.

A audiência contou com a participação do presidente da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel da Palha (Cooabriel), Luiz Carlos Bastianello, do analista em desenvolvimento rural do Incaper, Enio Bergoli, do gerente do Departamento de Desenvolvimento Técnico da Cooperativa Regional dos Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), Mário Ferraz de Araújo, além do presidente da Comissão de Café da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), Breno Mesquita.

Durante o debate, o Deputado Federal Evair de Melo (PP-ES), criticou a postura da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que não compareceu para explicar a metodologia dos preços de referência do grão.

Para Evair, os preços apresentados pela Conab derrubam o mercado. “São números vergonhosos, aquém da nossa realidade, enquanto combustíveis, energia, transporte e mão de obra subiram seus valores acima de 20%. Os produtores estão operando em prejuízo e queremos que a Conab faça essas correções para que tenhamos preços justos e, assim, possamos fazer uma safra com mais qualidade”.

Após a audiência, Evair apresentou na Comissão de Agricultura uma Moção de Repúdio à ausência da Conab no evento.

A audiência

Bastianello declarou em seu discurso que é preciso “uma política que garanta a subsistência do produtor, pois até mesmo a safra do ano que vem está comprometida”. Enio Bergoli destacou que a política de preços mínimos surgiu para garantir que, pelo menos, não haja prejuízo financeiro aos cafeicultores. “O custo de produção deveria cobrir minimamente aquelas despesas que efetivamente foram desembolsadas pelo agricultor. No caso do conilon, e também do arábica, os valores estabelecidos não cobrem nem isso”.

Evair de Melo destacou que a pauta entregue para o Ministério da Agricultura, construída na reunião da Frente Parlamentar do Café na última terça (7), inclui entre as prioridades a construção de uma Política de Preço de Referência (PEPRO) invertida, a renegociação das dívidas dos cafeicultores e buscar formas de fortalecer os produtores para a safra de 2020, além de evitar perdas avassaladoras neste ano.

Breno Mesquita relembra que o preço de referência é a soma do preço mínimo mais 10% deste preço para que o produtor possa comercializar seu produto. Entretanto a PEPRO atual não contemplaria os produtores de conilon, pois os valores estabelecidos pela Conab para este grão são ínfimos. Enio Bergoli reitera que é preciso “elevar o preço mínimo do Conilon para que o grão faça parte de outras políticas de garantia de renda”.

O parlamentar capixaba reitera que, antes de expôr o produtor à concorrência externa, é preciso que o Estado forneça condições e infraestrutura adequadas. “É preciso ampliar nossas plataformas comerciais, mas só podemos expor o produtor brasileiro a essa competição internacional quando tivermos infraestrutura, estrada, reforma e simplificação tributária, energia e telefonia disponível, segurança, entre outros fatores que nos dê competitividade”.

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