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Greve dos caminhoneiros: saiba o que eles dizem sobre a paralisação

A greve dos caminhoneiros ganhou força em todo o Brasil. Nesta quinta-feira (24), o Distrito Federal e 25 estados fazem protestos. Para encerrar com a paralisação, os caminhoneiros querem a isenção total dos impostos que incidem sobre os combustíveis.

A reportagem da 90.5FM entrou em contato com alguns desses caminhoneiros para saber o que eles pensam a respeito da paralisação. Um deles é Cajau Antonelli, que tem um canal no YouTube com dicas sobre viagens, segurança, e que fala a respeito da BR101.

Segundo Cajau, para entender o teor da paralisação é preciso mostrar os números. De acordo com ele, as pessoas não têm ideia do alto custo do transporte. Em uma planilha de custos, só o diesel representa 50%. “Em uma viagem, metade do faturamento sai pelo escapamento. Soma-se a isso o salário, as despesas diárias do motorista, o desgaste de pneus, peças, impostos, pedágios, etc. Se você fizer uma conta simples, uma carreta faz perto de 2Km por litro de diesel”, explica.

De acordo com o motorista, se comparar de Vitória até Fortaleza (CE), são 2.100Km. Numa viagem dessas, ida e volta, o consumo do diesel chega a 2.4 mil litros. “Com essa política de reajuste conforme a oscilação do valor do dólar e do preço internacional do petróleo adotada pela Petrobras em meados do ano passado, o litro do diesel chegou perto de R$ 4,00 em alguns locais. Logo, o custo é de R$9,6 mil para ir a Fortaleza e voltar a Vitória”, enfatiza.

Cajau enfatiza ainda, que a cada aumento do diesel a já apertada margem do lucro do transportador fica menor. “A situação está insustentável! De forma geral, a frota está sucateada, não sobra dinheiro. É por isso que paramos. Sou empregado, trabalho para uma empresa de Guaçuí e recebo o meu salário. No entanto, para continuar recebendo todo mês, entendo que é melhor parar agora do que depois ao perder o emprego”, afirma.

O caminhoneiro aproveita oportunidade e questiona: “Até quando o patrão vai aguentar? Não duvide se há empresa onde os funcionários estão tirando mais de salário do que o patrão. A empresa que eu trabalho nos orientou a guardar os caminhões e irmos para casa, e está apoiando moral e materialmente este movimento”, diz.

O motorista aproveitou a oportunidade e disse que o movimento começou com os caminhoneiros autônomos, os que têm caminhão, e depois ganhou apoio das empresas e até dos donos de postos de combustíveis. “Eu sou a favor da manifestação, uma paralisação pacífica, organizada e respeitosa. Sou contra bloqueios e violência”, destaca.

Segundo o motorista, com exceções de um ou outro caso de excesso, a manifestação tem sido ordeira e respeitosa em todos os lugares. “Apenas os caminhões estão sendo convocados a parar e a adesão está sendo grande. A população entendeu que essa não é apenas uma paralisação do caminhoneiro, mas sim de todos, pois cada brasileiro é afetado com esta política da Petrobras e com a voracidade do Governo na forma de arrecadar impostos sobre os combustíveis. O que vemos é um governo inerte”, ressalta.

Sobre ser caminhoneiro, Cajau diz: “Tenho orgulho da minha profissão, faço com amor. O caminhoneiro é forte porque resiste à ausência diária da família, porque está exposto à violência dos assaltos e ao risco dos acidentes e porque resiste às longas jornadas de trabalho. No entanto, apesar da importância que tem, o caminhoneiro não é valorizado. Nós seguimos em frente, mas não esta semana. Paramos para dizer basta! E é bom que o governo nos ouça”, completa.

Quem também aderiu a greve é Paulo Vitor Trigo, que trabalha como caminhoneiro há 6 anos. “Você usa o carro, mas concorda com o preço da gasolina? Nós não concordamos com o preço do pedágio, com o valor da manutenção do pneu e do diesel para abastecer. O frete é muito barato”, revela.

Segundo o caminhoneiro, nesta quinta, o litro da gasolina em Guarapari está R$9,59. “Já não tem combustíveis na cidade. Em muitos locais falta comida, a batata na Ceasa já está cara. Com tudo isso vamos ver se o governo agora não vai ceder, pois a população não tem que pagar pelo rombo”, finaliza.

Fotos: Divulgação

  • Escrito por Jornalismo 90.5 FM
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